quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Rotina ou talvez não~

Acabaram-se as férias. Voltamos ao dia-a-dia, ao ambiente do costume, ao trabalho habitual, aos amigos de sempre.
A rotina! - dizemos
Mas porque é que voltar de férias tem que ser mergulhar na rotina e olhar a vida com um certo fastio? Porque não podemos ver a vida e os acontecimentos com outros olhos, aqueles com que contemplámos o mar, admirámos a destreza dos surfistas ou seguimos o voo ágil das gaivotas?
As férias são precisamente para isso: para mudar os nossos horizontes, fazer esquecer o que nos incomoda, desprendermo-nos do que nos ligava a costumes e modos.
Comecemos, olhando a vida com uma energia nova, uma alegria mais profunda, com objectivos inovadores. O ciclo da vida colabora nesta novidade que devemos estabelecer. É que todos os dias começam e acabam e, no entanto, nenhum é igual...
Aproveitemos as diferenças para estabelecer novas expectativas, novos sonhos e novas realizações. As contrariedades, as inquietações e os aborrecimentos fazem parte e não nos devem abafar e tirar a paz e a alegria. Em cada momento não é verdade que Deus está presente e nos olha e apoia?
Sento-me na capela; olho a cruz grande do altar  e espero que Ele me mostre a novidade que vai alterar a minha rotina.

Ir. M. Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 27 de agosto de 2016

Falso alarme

Ontem íamos apanhando um susto.
Íamos... mas não chegámos a afligir-nos porque não nos deixámos impressionar.
Quando vínhamos da praia, à hora do almoço, um imenso aparato policial: carro de bombeiros, INEM, polícia marítima, GNR e o trânsito cortado.
Tivemos que ir dar uma grande volta para chegar a casa e como perguntei o que estavam a fazer ali aqueles agentes da autoridade, a resposta não foi animadora : Estamos a zelar pela segurança das senhoras...
"Mas o que aconteceu?" perguntei. Com alguma condescendência o polícia lá me respondeu: "É um objecto suspeito que deixaram ficar nas escadas"
Viemos calmamente para casa almoçar. Ainda vimos a brigada de minas e armadilhas, facilmente identificada pelo vestuário.  De repente, um estampido.
Devíamos ter tido receio mas não tivemos. Fomos à janela e não vimos nada. Almoçámos calmamente.
Inconsciência ou demasiada confiança?
Só à tarde soubemos que tinham sido as Testemunhas de Geová que tinham deixado uma mala com panfletos. Com a detonação os panfletos foram pelos ares e os serviços de limpeza levaram os restos.
Uma quase aventura em fim de férias.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Ouvir a voz

A liturgia do dia de ontem é por demais provocadora e convidativa à reflexão.
"Se hoje ouvirdes a voz de Deus não feches o coração".
É uma exigência que nos é feita e que não nos pode deixar indiferentes. Até porque é por não se ter o coração aberto e atento que ouvimos a outra afirmação que nos abala: "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos". 
E ficamos a pensar quando é que Deus fala, para que nós O possamos ouvir
Mas devíamos interrogar-nos porque fechámos o coração ao apelo do Pai.
Certamente havia demasiados projectos no nosso espírito, tínhamos escolhido demasiadas opções, havíamos enveredado por um caminho que não era o que nos levaria ao ideal.
Deus chama... sem acepção de pessoas. Chama para que O sigamos, para que O olhemos com olhos de ver. Pois, "Se são muitos os chamados...e nós fazemos parte  desses "muitos"...
Porque serão poucos os escolhidos? 
Não certamente por Deus ter eliminado alguns, mas porque nos eliminámos nós, desviando-nos do caminho.
Fiquei a pensar nestes escolhidos, em todos os que foram chamados, nos momentos em que sentimos a Voz de Deus, falando ao nosso coração.
E depois... porque nos desviámos? porque deixámos de estar atentos? Porque fechámos o nosso coração? Deus continua a chamar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Dia diferente

Era dia de Nossa Senhora, um dia de festa. Por isso, resolvemos ir almoçar fora. Fomos a um sítio típico, um restaurante de caldo verde e pão com chouriço. Não sei se seria o mais próprio,  para dia de festa, mas calhou e fomos.
Enquanto esperava na fila, enquanto não chegava a minha vez, fui observando as pessoas que me rodeavam: Jovens acabados de chegar da praia e ainda molhados; famílias com crianças, um olho no serviço e outro nos filhos; senhoras idosas, solitárias, que aproveitavam o almoço para tentar conviver...
E depois, enquanto uns esperam na fila, outros, realizam um jogo secreto de conseguir uma mesa livre.
Finalmente, chegou a altura de me entregarem o tabuleiro com o caldo verde, o pão com chouriço, uma bebida, o arroz doce e o café. Almoço completo.
Sentámo-nos numa mesa conseguida previamente. Em volta, havia quem estivesse deliciado, quem franzisse o nariz, quem simplesmente matasse a fome.
Não tínhamos pressa. Comemos calmamente, conversando, trocando impressões, fazendo comentários Depois, saímos com a certeza que este almoço não era para repetir Nada adequado a um dia de Verão na praia. Ainda tivemos que dar uma grande volta , debaixo dum sol bem quente, para tentar fazer a digestão.
Enfim! Experiências de quem se deixou influenciar por aquela multidão que, todos os dias faz fila para conseguir o seu caldo verde e o pão com chouriço.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Mais uma festa em que a Igreja celebra a Virgem Maria. Esta é a grande festa de Agosto, em que a maioria das terras presta homenagem à Mãe do Céu.
É verdade que, a pare da parte religiosa, da Missa, da pregação, da procissão e tudo o mais, temos a manifestação profana do arraial, dos petiscos, do artesanato, etc.
Mas esta celebração, tão típicas das terras e do povo português, também é manifestação de alegria, de partilha de bens, de ocasião de convívio.
Muita gente lamenta a associação do profano que - dizem - ofusca a devoção, o carácter religioso das celebrações litúrgicas.
Talvez... Mas será que não agrada mesmo à Senhora em honra de quem tudo foi preparado e vai ser vivido?!...
Saibamos dar graças, neste dia, a Mãe de Jesus e nossa Mãe. Subiu ao céu onde o lugar estava reservado desde toda a eternidade.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

domingo, 14 de agosto de 2016

Finalmente

Terminou, finalmente. o incêndio na ilha da Madeira. E terminou com uma homenagem aos bombeiros da ilha. Homenagem merecida, manifestação sincera daquele povo que reconhece o muito que aqueles homens deram para os proteger e ajudar.
Até me comovi quando assisti à reportagem na TV. E, ao mesmo tempo, recordei imagens daquela ilha que visitei várias vezes com as minhas alunas.
Certamente elas também se lembram dessas viagens. Ficámos num dos Hotéis, com nome das flores da Madeira, situado perto da Fundação onde trabalham as Irmãs Dominicanas. E tínhamos uma guia que nos levava a visitar os vários locais típicos da ilha: Santana, Monte, Porto Moniz, Pico do Areeiro,etc.
E comprámos orquídeas no largo da Sé; e andámos nos carros típicos, que descem a encosta, puxados por homens experientes; e visitámos o centro histórico; e almoçámos bifes de atum que pareciam de vitela; e assistimos à festa das flores; e até conseguimos entrada na exposição no dia que era só para as autoridades... Privilégio para um grupo de alunas do continente...
Hoje, ao ver as imagens na TV, sinto um arrepio. Pelo pavor que foi e pela beleza que está destruída e é necessário fazer renascer.
Apetecia-me agradecer ao Cristiano Ronaldo e a quantos que, como ele, se prontificaram para ajudar à reconstrução. Espero que o pedido dos Bispos também seja bem acolhido.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sábado, 13 de agosto de 2016

Incêndios

Chega o Verão, o calor, o sol, a alegria. E, sem aviso prévio, abate-se sobre as florestas, as casas, as populações, o terror dos incêndios.
São florestas queimadas, casas destruídas, populações em perigo e mesmo feridos e mortos.
E não há dedicação de bombeiros que seja suficiente, não se consegue que os meios terrestres e aéreos sejam eficientes.
Pelo caminho, acusa-se a prevenção, a falta de meios, a intervenção tardia...Mas a catástrofe continua porque o calor é intenso, os ventos adversos e um grupo de indivíduos, sem escrúpulos nem respeito pelo próximo, continua a atear os fogos.
E há quem pergunte: "Será que Deus não sabe do calor, dos ventos, da falta de consciência dos homens?" .. Claro que sabe, que está atento, que acompanha os acontecimentos - diz-nos a nossa Fé.
Simplesmente Deus deu a liberdade ao Homem e com ela os homens conseguem ultrapassar todos os limites, preticar todas as inconsequências, até actuar negativamente nas condições atmosféricas.
Ao Homem Deus deu a Liberdade. Para o Bem e para o mal. E, por isso, vemos os acontecimentos evoluírem sem que Deus intervenha. Ele está atent; Ele quer a Felicidade de todos e de cada um de nós; Ele não pode aprovar aqueles que escolhem o caminho do mal. Mas, antes de tudo está a Liberdade e é ela que nos tem que conduzir ao encontro do Bem.
Mas lembremos esses homens e mulheres, destemidos e corajosos, que têm arriscado a vida para defender floresta,bens e vidas de outros homens. Esses Homens que se chamam BOMBEIROS e não lutam por nenhuma medalha.
 Peçamos por eles ao Pai e colaboremos com eles na medida das nossas forças.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

O dom do perdão

O Evangelho de ontem trazia à luz da ribalta o problema do perdão: o perdão que se pede e o perdão que se dá. 
Aqueles dois trabalhadores de que nos fala o texto sabiam pedir perdão mas o inverso não era tão verdadeiro. Aquele que mais tinha sido perdoado não foi capaz de agir em conformidade com o perdão recebido. Às vezes é difícil pedir perdão. Mas, não é tantas vezes mais difícil perdoar e perdoar realmente? 
É que perdoar não é simplesmente dizer que sim, que se perdoa. É necessário todo um trabalho interior de disponibilização do nosso coração para dar, acolher, mudar.
Perdoar tem que utilizar aquela componente de dádiva de que o proprietário se serviu quando perdoou a dívida, aceitando não receber o dinheiro em falta.
Perdoar é abrir o nosso coração e acolher o outro , como ele é, aceitando a ofensa que ele nos fez, passando por cima do aborrecimento, da contrariedade que ele nos causou.
Perdoar é começar um caminho novo em que deixámos para trás todas as coisas, injustiças e ofensas com que nos magoaram.
Por isso... perdoar não é fácil. Sobretudo não é simples fazê-lo de coração sincero e livre.
É muito mais simples pedir perdão, dizer aquela palavra, às vezes também difícil, mas que pode ser somente "palavra".
Não esqueçamos que é preciso seguir Jesus que está sempre pronto para nos perdoar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

" Querer é poder "

Emprestaram-me, para ler nas férias,um livro com título original: " Só avança quem descansa ". Suscitou-me a curiosidade e folheei-o.
Constatei que se tratava da explanação duma conferência feita aos pais dos alunos dum colégio com o tema: "A gestão do tempo". Outra curiosidade...
No livro fala-se de tempo , sua ocupação e falta dele. Chama-se a atenção para o facto de nós  fazermos sempre o que queremos. O pior é que nem sempre queremos o que devemos. E aqui temos a razão de ser necessário estabelecer prioridades e saber que "umas são as prioridades da cabeça e outras as do coração".
E, se pararmos para pensar, constatamos, como o fez este sacerdote, que são as prioridades do coração que levam a melhor quando se trata de escolher o caminho.E sempre bem?!...
Outra coisa que me tocou neste livro, ou melhor, no prólogo da conferência, foi o pregador ter pedido à assistência para " estar mesmo ali" já que tinha vindo para o ouvir.
Quantas vezes vamos mas não estamos... quantas vezes assistimos mas de coração longe, de espírito arredado...
Razões?... As mais variadas. Mas, realmente, necessitamos convencer-nos que, para conseguir qualquer coisa é preciso querer e que "querer é poder". Mas, não esqueçamos que, para querer, efectiva e afectivamente é preciso pedir.
É palavra do Pai: Pedi e recebereis!
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

S. Domingos de Gusmão

Ontem foi a solenidade de Nosso Pai S. Domingos.
S. Domingos, o santo, o pregador, o fundador da Ordem que está a celebrar os seus 800 anos de existência.
Não podia dispensar a Eucaristia, muito embora às 2ª feiras  não haja  Missa aqui, onde estou a passar as férias.. 
Em vista disso, fomos onde sabíamos que havia  E, com grande emoção, voltei à capela da praia onde passei as minhas primeiras férias, depois de directora do Colégio.
Voltei a ver aquelas paredes, a rezar naquele espaço que me traz tantas recordações, a participar numa Eucaristia , como há tantos anos atrás.
Os celebrantes foram outros, a homilia diferente, os participantes em menor número mas... que alegria por ter podido celebrar S. Domingos ali, recordando o ontem, pensando no hoje e tentando deslumbrar o àmanhã.
Claro que não pude deixar de recordar o sr. P. Domingos, o amigo, o capelão, o professor...
Era ele que sempre nos levava até lá, com a sua disponibilidade e generosidade.
Era ele que celebrava para nós e para quantos nos queriam acompanhar.
É ele que continua presente naquelas paredes que ajudou a erguer.
E é ele que do céu, certamente, continua a pedir por todos nós, os que aqui na terra o lembramos com saudade.

Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.


domingo, 7 de agosto de 2016

Segredos

Ontem foi a festa da Transfiguração de Jesus.
Imagino os apóstolos escolhidos, no monte com Jesus, e serem surpreendidos pela revelação que Ele lhes faz . Ficam espantados, encantados, disponíveis para ali ficar, para fazerem três tendas, nenhuma para eles. Não precisavam. A emoção chegava-lhes. Mas certamente, na alegria que lhes transborda do coração, não esperam a imposição que lhes é feita: não podem contar a ninguém o que viram e souberam.
É um segredo, o que Jesus lhes pede.Um segredo que eles queriam certamente partilhar, desvendar, contar talvez "aos quatro ventos"... Mas, ainda não chegou a hora.
Quantas vezes nos acontece ter o coração apertado por não poder dividir com alguém a alegria ou a angústia que nos invade?!...
No entanto, é assim a amizade. Sempre disponível, sempre pronta, sempre atenta, mas também exigente. É preciso saber cultivá-la, estar aberto ao dar e ao receber.
E agradecer, porque a Amizade é um dom mas que é preciso cultivar.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P. 

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Novo dia

Sentada na areia, contemplo o mar. As ondas, umas vezes calmas, beijam a areia; outras, mais zangadas, bordam de espuma a beira da praia.
O céu azul, um pouco nublado, lembra a nossa vida nem sempre isenta de perturbações ou contrariedades.
Ao longe, um veleiro passa...lentamente, rumo a outras paragens.
Tudo calmo, tudo tranquilo, tudo em paz.
Mesmo sem querer não conseguimos esquecer, nestes ambientes calmos, aqueles incidentes que tanto perturbam a humanidade, sejam desastres naturais ou atentados humanos, sejam derrocadas ou cheias,sejam actos terríveis de terrorismo.
E recordo as palavras do Papa Francisco lembrando que o terrorismo não é só no exterior mas que também temos que ter em atenção o que se passa dentro das famílias: jovens que abandonam idosos, mães que afogam crianças, pais que matam mulheres e filhos...
Não são estas também formas de terrorismo?
Mas, nem umas nem outras podem ter o aval de Deus. Ele criou-nos para sermos felizes, seguindo a palavra de Jesus: "Amai-vos uns aos outro como Ele vos amou" .
E diante de tudo isto, ouvindo o apelo de Deus, reflectindo na palavra do Evangelho, podemos continuar calmamente, centrados na nossa vida e nos nossos "bens", ou temos que ir... seguindo a vontade do Pai?
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Férias

Cheguei ontem!
É quase incomodativo falar em férias quando há tanta gente que não as pode ter... Mas aproveito para dar graças a Deus, olhando este mar que se avista... imenso... desta minha varanda voltada ao oceano.
E fico, silenciosamente, tentando imitar Maria que, sentada aos pés do Mestre o escutava para "guardar tudo no seu coração" como Maria, a mãe de Jesus.
É também para isto que servem as férias. Para termos tempo de, livres de trabalhos, podermos reflectir, pensar em mil coisas esquecidas durante o tempo de agitação, de actividade, de ocupação. É tempo para nos consciencializarmos de que, mesmo quando andamos ocupados, inquietos, angustiados, o Pai continua lá, esperando por nós, pela nossa palavra, pela nossa oração.
Cheguei! Estou de férias... não tenho nada que me ocupe, obrigatòriamente.
Fico à varanda olhando o mar, as pessoas que passam, os surfistas que mostram as suas habilidades, as crianças que, alegremente, correm pela areia.
Amanhã juntar-me-ei a elas para o primeiro banho neste mar que nos convida.
Hoje, limito-me a olhar e a dar graças pelos dons recebidos e a Fé que me anima.
Ir. Maria Teresa de Carvalho Ribeiro,O.P.